Festa no céu

Postado por blog Postado em Fev - 17 - 2012

Se, em uma noite estrelada, por acaso, você ouvir uma guitarra soando por entre as nuvens, preste muita atenção, pode ser Jimmy Hendrix ou Chuck Berry fazendo o que chamamos de rock in roll. Se seu ouvido persistir em ouvir sons que vêm do céu, tente identificar o piano, quem sabe o Ray Charles esteja tocando Hit the Road Jack. E, se não parar por aí, duvide de que uma longa balada estará para acontecer no plano divino.

Com certeza, Deus é adepto do blues, rock in roll, soul, R&B e Hip Hop. Ele autorizou a Jam Session no céu e estarão presentes as estrelas que um dia abrilhantaram a Terra, e de tão luminosas, deixaram rastros de suas passagens por aqui que outras pequenas estrelas estão a seguir.

Se você fechar seus olhos, poderá visualizar o quão bela será a festa do céu. Anjos negros que cantarão, tocarão e dançarão divinamente.

A lista de convidados não é pequena, assinam o performático Rei do Pop Michael Jackson, James Brown, Muddy Watter, Little Waters, Ray Charles, Bob Marley, Etta James, Amy Winehouse, Whitney Houston, Marvin Gaye, Tupac, Barry White e outras dezenas de nomes importantes da música negra.

Essa é uma pequena imaginação que nos leva a acreditar que os ícones da música negra e afro-americana estão juntos em algum lugar fazendo o que eles sabem de melhor: música. Neste ano, duas sensacionais interpretes se foram, Etta James, em janeiro, e, recentemente, Whitney Houston. O mundo parou para lamentar a morte de ambas. Assim como também se comoveu com a triste morte da britânica Amy Winehouse, que, embora, fosse branca, bebeu da fonte da música negra e escreveu seu nome nessa extensa história. Grande parte dos citados acima levou uma vida contraditória – enquanto cantavam e encantavam o mundo, faziam de suas vidas vítimas da melancolia e desamparo, consumiam-se das drogas e do álcool. Talvez, fosse o blues que cantavam que os refletia.

Esse processo não é proposital, mas histórico. Desde o surgimento da música negra, no Sul dos Estados Unidos, com as work songs, os negros escravos cantavam suas tristezas e saudades por terem sido tirados a força de sua Terra Mãe para o trabalho escravo no outro lado do oceano. Cantavam canções melódicas que retratavam a falta, o medo, a dor, a saudade. Essas foram as referências da música negra, por isso, para se fazer o blues, deve-se sentí-lo. E muitos dos que contribuíram para esse gênero, fizeram o blues, sentiram o blues e viveram o blues.

Eis aqui nossa homenagem para os que se foram, mas que nos deixaram a música, o ritmo, a melodia e o sentimento. E essa festa tem que continuar!

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Categoria: home, MÚSICA